As primeiras impressões de Titanic: Blood and Steel

O Análise do Piloto é um periódico do nosso blog que tem como objetivo analisar o primeiro episódio das séries, chamado de episódio piloto.

Nossa preferência por essa abordagem se deve ao fato desse episódio ser o momento crucial para a produção: se o piloto de uma série não é bem aceito pela crítica e pelo público, ele é cancelado.

Divirta-se e diga você também o que achou de Titanic: Blood and Steel! 🙂


O Titanic é o navio mais famoso no mundo.

O transatlântico afundou na madrugada do dia 15 de abril de 1912 ao colidir com um iceberg no Atlântico Norte. Era a primeira viagem do gigante e, até aquele momento, ele carregava consigo a responsabilidade de ser a maior, mais luxuosa, mais segura e mais desejada embarcação do mundo. Criou-se um misticismo ao redor do Titanic, se tornando quase uma lenda quando o longa de James Cameron levou aos cinemas do mundo inteiro sua história em 1997.

Diferente do premiado filme, a série sobre a qual vou comentar hoje não é banhada a mel. Titanic: Blood & Steel tenta contar as histórias por trás da construção do navio, fazendo uma contextualização histórica do início do século XX e mostrando que, realmente, foi construído à sangue e ferro.

O Piloto

O primeiro episódio dá total foco a Belfast. A cidade irlandesa é berço da Harland and Wolff, estaleiro responsável pela construção do Titanic e outras embarcações da operadora White Star Line. Nos é apresentado John Pierpont Morgan (Chris Noth), um empresário norte-americano que financia a construção do Titanic e indica o metalúrgico inglês Mark Muir (Kevin Zegers) à gerência da Harland and Wolff para ajudar na execução do projeto.

Muir logo mostra sua personalidade forte e ideias avançadas para com os projetos e a sociedade. Não é raro as cenas em que ele discute os métodos de trabalho ou a forma como a mão de obra é tratada nos estaleiros de construção. Não é raro também vê-lo contrapor as ideias do projetista chefe do Titanic, Thomas Andrews (Billy Carter).

É muito competente a leitura que a série faz das demandas da época: em pleno início do século XX, as diferenças de classe são extremamente gritantes. Os ricos passam seu tempo analisando os negócios e tendo opinião hegemônica de que tudo está como deve estar e que seria um ataque ao equilíbrio empresarial investir em melhores salários e condições de trabalho. Os trabalhadores, por sua vez, possuem postura pacífica quanto a isso, acreditando também que qualquer tipo de rebelião causaria uma grande catástrofe.

Os sindicalistas aparecem de forma despretensiosa. É visível que o roteiro foi montado de forma que a luta do proletário tenha uma ascensão, porém, em início, é apenas visto alguns pequenos movimentos e uma constante sensação de dúvida e medo. A Itália é citada mais de uma vez como terra sem trabalho pela ação dos sindicatos.

Vale lembrar também que Mark Muir é católico em meio a uma alta sociedade protestante. A diferença religiosa é citada diversas vezes na série, mostrando uma Irlanda dividida em crenças de uma forma tão forte que o famoso sindicalista Jim Larkin precisa frisar de forma enfática que tais diferenças precisam ficar de lado quando o assunto é união para melhorias.

Existe também um romance entre Muir e Sofia Silvestri (Alessandra Mastronardi), talvez para haver uma fuga da trama principal e evidenciar ainda mais os costumes da época. Os atores tem boa sincronia e o casal funciona bem.

Vale a pena assistir?

Acredito que a série seja uma boa pedida pra quem gosta de história ou (por que não?) engenharia. São mostradas diversas pranchas de navios, escritórios de desenhos e uma bem feita ambientação das docas da Harland and Wolff. Ao assistir Titanic: Blood & Steel você se sente de volta ao início do século passado, vendo o modus operandi do início da navegação moderna.

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